quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

interfaces da dança

     A primeira diz respeito à distância que existe hoje, entre o que se cria em dança – na dança como arte – e o que se faz nos espaços de ensino e aprendizagem de dança. Um reflexo desta distância é a ausência (ou quase) de público em espetáculos de dança contemporânea ou de dança-teatro, em todo o Brasil, embora exista um número significativo de escolas e cursos de dança, repletos de alunos.
A segunda evidência é a atual produção de conhecimento sobre o corpo que advém da prática de artistas da dança. Esta produção, que é fruto de sua prática de criação artística e que se dá por meio do próprio corpo, temprovocado reflexões e bases para concepções de CORPO, SUJEITO e EDUCAÇÃO. Também tem problematizado a compreensão de como se dá a expressão pelo corpo e do que são técnicas corporais, contribuindo com o desenvolvimento de teorias da percepção, da cognição, bem como da constituição do sujeito. Trabalhos científicos de diversas áreas (antropologia, medicina, biologia, semiótica, entre outros) têm se apropriado do conhecimento que estes corpos em dança revelam para construir e desconstruir suas “verdades”, bem como colocar suas teorias em movimento. Além disso, um número considerável de artistas da dança tem feito cruzamentos entre os saberes construídos em suas práticas, e teorias filosóficas, para o desenvolvimento desses conceitos. O artista do corpo, o dançarino-ator, pode ser compreendido como aquele que relaciona-se com o mundo e com a humanidade a partir do movimento; que vê a complexidade das relações entre indivíduos e da configuração da cultura a partir da percepção do movimento do corpo humano. E faz sua arte também a partir disto. Na interface entre o corpo espetacular e o corpo cotidiano pode provocar pensamentos e problematizações sobre o mundo contemporâneo.

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Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...