sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Missão Cruls



  Depois de um longo processo de apropriação de uma técnica,  movida pela necessidade de aprimorar e reelaborar uma nova proposta e um vocabulário próprio em cena, veio a constatação de que ser atriz e dançarina é sempre começar do zero. Lembrei da história daquele sábio que recebe uma visita,  o sábio ao servir o chá  continua com  o ato, apesar da xícara estar transbordando, o homem que estava sendo servido movido pelo desespero, pede para que ele pare, então o monge sabiamente lhe transmite a lição:- Se você continuar cheio como esta xícara não está pronto para receber e aprender.Vivemos um momento sublime , temos todas as informações que precisamos,  mas o que fazer com elas? Só a sabedoria nos salva.
  Esse ano fiz a minha ultima temporada do espetáculo Baraka e declarei a todos que fechei um ciclo com a Índia, para a minha surpresa essa semana fui a três espaços de rituais sem nenhuma relação com a índia, e  no entanto  para a minha surpresa ela estava presente. Hoje entrei no carro de uma amiga para ir a uma festa, tocava no carro música Indiana.,durante a festa eu dançava livremente samba e as pessoas comentaram que os meus movimentos lembravam, a essa altura todo mundo sabe a que lugar me refiro.
   Eu não sou prisioneita de uma técnica e nem pretendo ser "o samba de uma nota só",.Entendo que o corpo não mente e que mudanças são feitas por camadas, como a cebola e que o corpo tem memória e energia, então tudo na minha arte apesar de me sentir no ponto zero, recomeçando, meu corpo continua com a memória atual, vou precisar de trabalhar muito duro para devolver a ele outros aspectos da minha corporeidade para acessar outras memórias.
   O importante é que esse blog vai se ocidentalizando aos poucos e a minha mente vai atravessar o" oceano de leite" em busca de uma nova morada, novas portas que  querem e precisam ser abertas.
Eu sou nômade e não consigo ficar engessada, eu quero a  minha passagem de volta para o Ocidente  , Brasil , Nordente e Centro-Oeste e Brasília.
   Começou  a minha missão Cruls, estou  em plena marcha.


  Agora  vou compartilhar todo o meu processo de pesquisa para essa nova montagem, quem quiser viajar comigo, sinta o chamado.

Exploração e Estudos do Planalto Central
Comissão Cruls

Flavio R. Cavalcanti
1ª Missão: – Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil

O presidente Floriano Peixoto fez mais do que "cumprir" o dispositivo constitucional que determinava a mudança da capital, sem fixar prazo ou urgência — sua mensagem ao Congresso destacava a "necessidade inadiável" da mudança.

Em 1892, o Congresso aprovou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, formada pelo engenheiro belga Luís Cruls, diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, e outros 21 membros, entre cientistas, técnicos e militares [além de um "contingente de militares", citado apenas por Mourão]. Segundo um dos participantes, Floriano Peixoto lhes garantiu mudar a capital ainda em seu mandato (1891-1894), nem que tivesse de instalar o governo em barracas de campanha.

Essa 1ª Missão Cruls partiu do Rio de Janeiro em junho de 1892, repetindo exatamente o roteiro de Varnhagen, por ferrovia até Uberaba, no Triângulo Mineiro, ponto final dos trilhos da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro. Dali, seguiu a cavalo — com quase 10 toneladas de bagagens e equipamentos, em 200 baús de madeira — até Pirenópolis, Santa Luzia (Luziânia) e Formosa.

Após monumental coleta de informações, medições, levantamentos etc., ali lançou quatro marcos definindo uma área entre as três cidades — o retângulo Cruls, de 160 por 90 km — abrangendo nascentes das bacias dos maiores rios brasileiros, Amazonas, São Francisco e Paraná.

De volta ao Rio de Janeiro, após 13 meses de viagem, uma exposição na sede dos Correios e Telégrafos apresentou mapas, fotografias e amostras do solo, flora e fauna do planalto. O relatório da 1ª missão Cruls — bastante conhecido como "Relatório Cruls", ou "Relatório completo" — foi publicado por Lombaerts, em 1894. Antes, porém, um primeiro relatório parcial já havia sido apresentado ao governo e publicado no Diário Oficial da União em junho de 1893.

Ao rejeitar uma proposta de exploração de outra área — entre a Bahia, Goiás e Piauí — e determinar estudos mais detalhados, o Congresso Nacional praticamente oficializou a área demarcada para sediar o futuro "Districto Federal". A partir de então, o "retângulo Cruls" passou a constar de todos os mapas do Brasil.
2ª Missão: – Comissão de Estudos da Nova Capital da União

Cruls recebeu do governo Floriano Peixoto, em 1894, a incumbência de uma segunda missão — instalar uma estação meteorológica no local; providenciar ligação telegráfica à rede mais próxima; proceder ao reconhecimento da ligação férrea ou férreo-fluvial; escolher o local da cidade dentro do quadrilátero; e aprofundar levantamentos sobre o clima, abastecimento de água, topografia e natureza do terreno.

Nesta segunda visita, o botânico Glaziou destacou as condições favoráveis à criação do lago Paranoá — onde, na sua opinião, teria havido um lago natural em priscas eras.

Os trabalhos da segunda missão Cruls prosseguiram até o final de 1895, quando foram interrompidos por falta de verba, e de interesse do governo Prudente de Morais. Apenas os militares integrantes da Comissão de Estudos puderam se manter no local, precariamente, reduzidos ao soldo fixo, para a guarda do equipamento — caríssimo —, até que se votasse uma verba emergencial, suficiente apenas para levá-lo de volta ao Rio de Janeiro.

Um segundo relatório parcial — aparentemente jamais reeditado — foi publicado em 1896, com informações sobre a ligação ferroviária. No mesmo ano, foi suprimida a estação telegráfica de Mestre d'Armas (Planaltina), presumivelmente instalada pela 2ª Missão Cruls.
Nesse período, de 1893 a 1897, Minas Gerais construiu e inaugurou sua nova capital, Belo Horizonte — inicialmente chamada "Cidade de Minas" —, em substituição à cidade de Ouro Preto.

Mapa do Brasil de 1893, já com o "Retângulo Cruls" indicando o futuro DF
Fonte: A mudança da capital Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil
Rio de Janeiro, 1894
(Codeplan, Brasília, 1992)
1ª Missão Cruls – 1892-1893
Trata-se do famoso "Relatório Cruls" (1894), referente à 1ª Missão Cruls (1892-1893), durante o governo Floriano Peixoto.

Relatório da Comissão de Estudos da Nova Capital da União
Typo-lith. Carlos Schmidt, Rio de Janeiro, 1896
2ª Missão Cruls – 1894-1896

• Instruções (1894)
• Pessoal e itinerários
• Trabalhos
• Ferrovia Catalão-Cuiabá
• Ofício Cruls
• O local quase escolhido
• Relatório de Glaziou
Trata-se do Relatório "parcial" (1896), referente à 2ª Missão Cruls (1894-1895), abortada pelo corte de verbas no governo Prudente de Morais.








Atlas Melhoramentos, de 1957: ainda o antigo "Retângulo Cruls"
Comissão Cruls
1ª Missão Cruls – 1892-1893
Índice | Introdução | Carta de Glaziou | Índice das fotos | Relatório | Pessoal | Ferrovias e desenvolvimento
2ª Missão Cruls – 1894-1896
Instruções | Pessoal e itinerários | Trabalhos | Ferrovia Catalão-Cuiabá | Ofício Cruls | Agricultura | O local quase escolhido | Relatório de Glaziou
A via Cruls | Louis Ferdinand Cruls
Brasília e a ideia de interiorização da capital
Hipólito | Bonifácio | Independência | Vasconcelos | Império | Varnhagen | República | Cruls | Café-com-leite
Marcha para oeste | Constitucionalismo | Mineiros | Goianos | Ferrovias para o Planalto Central
Marcos históricos de Brasília
O Plano Piloto de Lúcio Costa | A escolha do Plano Piloto | O lago de Glaziou
A origem do Catetinho | Vida e morte de Bernardo Sayão
O massacre da Pacheco Fernandes
A logística da mudança | Os trens experimentais | A chegada do trem
A Pedra Fundamental | Missão Cruls | Relatório Cruls
Carta de Formosa | Emenda Lauro Müller
A idéia mudancista | Documentação

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