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domingo, 16 de setembro de 2012

MIRABAI - SOLOS FÉRTEIS

O festival solos férteis em sua essência é feito da alma feminina .Não tive o priviégio de ver  todos  os espetáculos; o pouco que vi percebi verdade, o que considero de mais precioso na arte e a presença da simplicidade.Ao mesmo tempo não é fácil ser simples, exige técnica muito apurada e profundo conhecimento de sí mesma.O palco é o território sagrado onde se presentifica histórias pessoais , símbolos que são a todo momento bússolas que marcam um tempo e um espaço atemporal , fragmentos de vidas , pedaços de emoções.
Eu era atriz de um importante grupo de teatro aqui em Brasília, apesar da dança sempre caminhar comigo.Um dia eu chego no teatro para ensaiar e uma atriz do grupo me olha nos olhos e dispara" Mira acabou!" e eu fiquei sem entender nada , acabou ? Como assim? O diretor detonou o grupo, eu fiquei sem chão.Naquele momento abracei o meu processo na certeza de que nunca mais alguém  terminaria algo por mim ou que pelo menos eu eu tenha o direito conquistado de participar dele. Virei uma artista solo e interessante é que solo e aqui falo de terra mesmo aparece de maneira proeminente no simbolismo mundial de uma perspectiva de posse , a reinvidicação da terra é um ato simbólico de poder riqueza, nacionalismo ou de identidade.
  Alguns espetáculos que vi durante o festival Solos Férteis, notei além do universo mitológico pertencentes ao universo de cada atriz, seus objetos expostos em cena como se fossem baús para serem abertos e eu sentia e via cada palavra ou som saindo daquels objetos , roupas,instrumentos musicais , distribuídos no palco a memória, rompendo o silêncio.Muito me chamou a presença da cadeira em alguns solos de atrizes que se apresentaram  e a cadeira além de simbolizar poder , altoridade de classe superior, uma cadeira vazia pode simbolizar ausência ou solidão, nesse caso a cadeira nunca estava vazia e sempre apontava  para outro caimnho, um convite para levantar e andar com as próprias pernas. Assim senti e percebi também que a cadeira também é usada para os visitantes e para as pessoas mais importantes da família, e é preciso entrar para a família de pessoas que querem contar alguma coisa.

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