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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

DANÇARINO: ATOR ILUMINADO

    A consciência do processo de criação pela experiência, ao penetrar no movimento interno, envolvendo-se total e organicamente com o corpo em todos os níveis – intelectual, físico ou intuitivo – promove a construção de uma arte que se comunica com seu tempo.
    A intuição é vital para a situação de aprendizagem e, infelizmente, é muito negligenciada.
    Não quero afirmar que o mágico e o onírico formam um artista. Na verdade, técnica e imaginação precisam caminhar juntas, como afirmamos em dança: “não baixa o espírito santo”.
    Antoine Artaud (1896/1948) – poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor de teatro francês – uma das minhas principais fontes de pesquisa sobre a metafísica, para meu desespero, não nos explicitou o processo para se chegar a uma arte que nos convide a aguçar os sentidos e a experiência coletiva, onde não há separação entre público e platéia.
    A propósito: minha intenção é fazer o público sonhar. Que a relação espaço/tempo seja elevada a um patamar diferenciado. Prefiro a idéia de colocar a platéia para flutuar, dançar comigo, participar da experiência da dança, do movimento profundamente conectado, sem a dimensão da análise literal ou apelo da razão cartesiana.
    Não estou falando de uma dança burra, mas de uma dança que seja tão impregnada de verdade e beleza que “ultrapasse o entendimento”. O processo para se chegar a esse estado de presença em cena necessita de total disciplina e contato consigo mesmo. Na minha opinião, um trabalho que pretenda a espiritualidade exi-ge renúncia e princípios éticos que, no meu caso, tem referenciais do oriente.
    Temos muita arrogância na arte. Não quero somar nesse sentido: meu principal elemento motivador é criar uma dança sublime e onírica. Uma dança que exija disciplina, treinamento corporal e espiritual para, em cena, provocar reflexão e encantamento. E porque não, dúvida e questionamentos sobre a condição humana?
    E mais: uma dança que questione o próprio ato de dançar. Que questione a própria dança.
    Ninguém – eu inclusive – detém o monopólio do belo. Um dos meus compromissos de pesquisa, é descobrir meus próprios símbolos, minha própria assinatura.
    Reverencio cada detalhe que aprendo com o estudo universal da dança. Reverencio todos os profissionais que me ensinaram um pouco deste conhecimento. O que busco tem essa marca e iniciação.
    Para mim, o palco é sagrado e a minha platéia primeira são os deuses da arte.
    Tenho essa questão tão clara dentro de mim, porque faço da dança a minha prece e a minha expressão de alma, meu Dharma. Me reinvento, me redescubro. Também retorno ao ponto zero.
    Novo Ciclo. Nova busca. Outra estética. Sem abrir mão do passado, da semente plantada.
    EVOÉ!!

A ESCRITA DO CORPO -COREOGRAFIA

       A descrição do movimento em artes cênicas  deve ser colocada num contexto de multiciplidade que questione as dicotomias corpo e mente,movimento e sentimento, desafiando  relações de poder  e buscando uma relação dinâmica além da unidade  ou correspondência significativa. Dessa forma a descrição de movimentos não forma uma unidade  com o seu movimento original há necessariamente uma diferença entre  descrição e a dança. Pesquisadores não pretendem descrever com absoluta precisão , sem preservar a dança ,mas abrir novas possibilidades de entendimento. Ao invés de estabelecer  correspondentes símbolos e significados , a descrição  multiplica as possibilidades de interpretação, de associações teóricas , e a criação de mais material escrito e coreográfico.A descrição torna-se  " fôrça semântica pluralizadora":um instrumento lingístico, artístico e filosófico"
       Para  descrever e discutir o corpo é necessária uma linguagem dinâmica de natureza constantemente transformadora,onde binárias oposições  não reflitam de volta uma na outra,trazendo repouso,numa completude imaginária.Dentro do Símbolo  imaginário ,ao contrário , elas se desencontram ,mas ainda  tentando refletir-se .

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Arquitetura e dança



    Durante todo o meu processo de pesquisa  percebi que ela é caracterizada por dois eixos o primeiro é  o intercâmbio de técnicas corpóreas com o objetivo de criar a minha linguagem e a segunda vertente seria o cruzamento fruto de minhas observações sobre a relação corpo e espaço. Além de Laban, só na dança Clássica Indiana vejo de forma tão explícita essa relação. Claro que  esta dança surgiu nos templos e tem uma relação muito profunda com a escultura.Há anos observo  que o movimento é feito de ângulos e retas, segmentos coreográficos geométricos  que cortam o espaço , onde emanam texturas e diferentes combinações com uma ação contínua não linear numa tridimensionalidade desafiando o equilíbrio apolíneo .

domingo, 16 de dezembro de 2012

Hera


Rainha dos céus e esposa de Zeus, Hera rege o casamento e todas as funções públicas em que uma mulher exerce o poder, além de preservar a família, a tradição e a comunidade. Sempre deseja ter ao seu lado um homem forte e decidido.

Monogâmica, só se relacionará com seu marido. Bastante autoconfiante, nasceu para mandar, não importa qual seja sua classe social.

Para ela, o dinheiro é importante, independentemente da sua condição socioeconômica. Tem o sonho de dirigir alguma instituição. Preocupa-se com status e gosta de exercer influência sobre o marido, filhos e amigos. Encontramos Hera como dirigentes, gerentes e atuando no funcionalismo público.

Caso se sinta rejeitada, se voltará contra todos. É o tipo de pessoa que está sempre reclamando de como a vida é cruel com seus problemas para resolver e, assim faz seu papel de mártir. Em alguns casos, precisa buscar algum tipo de terapia, caso contrário, poderá isolar-se ou ter problemas relacionados ao uso abusivo de remédios.
Foto: Getty Images

Deméter


É a deusa da maternidade e tudo o que se refere às funções reprodutivas. Também é chamada de “senhora das plantas”, pois está ligada a agricultura. Quando era criança, a protegida dessa deusa adorava brincar com bonecas ou cuidar de um novo bebê. No final da adolescência, é provável que tenha namorado firme e casado.

Quem é regida por Deméter, tem uma tendência a cuidar maternalmente de todos os homens à sua volta, independentemente da idade deles.

É muito fácil identificá-la: está sempre cuidando de tudo e de todos. Ela é dotada de ilimitada engenhosidade. Às vezes, recebe o título de "santinha", porque sabe se divertir sem extrapolar seus limites. Você encontrará protegidas dessa deusa atuando em todas as profissões, porém irá se destacar na área de ensino e o trato com crianças e adolescentes.

Ela é a filha, a mãe e posteriormente será a avó feliz. É a mulher que conta a história de contos de fadas, brinca de boneca com a filha e joga futebol com o filho, além de ajudá-los com a lição de casa.
Foto: Getty Images

Pérséfone


É a rainha dos mortos e está em contato com os poderes do inconsciente, como o misticismo e a mediunidade. Ela envolve os homens profundamente, a ponto de atrair os destrutivos. O resultado poderá ser lamentável. Modesta e discreta, fica ansiosa para agradar as pessoas que a rodeiam. É o tipo de mulher que parece adivinhar os pensamentos dos outros. Não se sente à vontade com o corpo e sua sexualidade. Sente interesse por assuntos relacionados à mística e metafísica. Poderá ser considerada excêntrica e até lunática. Prefere passar boa parte do seu tempo reclusa e isolada.

Gosta da leitura esotérica e tudo o que se refere à Nova Era. Para viver mais feliz, deve entender que a sua mediunidade é uma dádiva para ajudar as pessoas.

Quando jovem, é a filha-problema e, ao ficar adulta, poderá exercer a profissão de psicóloga, terapeuta ou astróloga. Um bom caminho em qualquer fase da vida é a literatura.
Foto: Getty Images

Atena


Filha de Zeus, Atena é a representante da sabedoria do pai, pois nasceu simbolicamente da cabeça dele. Trabalho é seu lema. Rege as artes literárias, a educação, a vida intelectual e a moradia na cidade. Gosta de compartilhar ideias e talvez se relacione melhor com os homens, que são seus amigos intelectuais.

Profissionalmente, a protegida de Atena costuma ter êxito na área de comunicação, bem como editora ou diretora de revistas, dirigindo estudos femininos, entrevistando personalidades, fazendo pesquisas, produzindo filmes e lutando pelos direitos da mulher na sociedade.

É prática, extrovertida e inteligente. É também a professora, a psicóloga, a escritora e a política. Administradora e organizadora incansável, precisa de um homem sensível para cuidar emocionalmente dela.

Os gregos a chamavam de “companheira de herói”. De comportamento juvenil, a melhor fase da vida sua vida será após os 35 anos.
Foto: Getty Images

Afrodite


Conhecida pelos romanos como Vênus, nenhuma deusa foi tão reverenciada por sua beleza. Ela concebeu um filho igualmente belo, Eros (ou Cupido), deus do amor.

Enaltece o espírito de combate dos homens, mas não deseja lutar ao lado deles.

A protegida de Afrodite é sempre o foco do grupo por ser a mais extrovertida. Ela é a artista, modelo ou relações públicas. Exerce um magnetismo nos outros sem notar. Tem amigas, mas se relaciona melhor com os homens.

Misteriosa e exótica, sempre perturba o local de trabalho. Quase sempre é cobrada por ser a outra, mesmo que não seja. Ousada, às vezes se sente amedrontada e culpada por ser dessa maneira. É considerada a deusa da paixão, mas também da compaixão.
Foto: Getty Images

Patrocínio para a dança

O Boticário anuncia patrocínio em companhias e festivais de dança no Brasil. Será um novo fôlego para a área?

por Estela Cotes - 11 de dezembro de 2012
O grupo mineiro Mímulos é um dos primeiros a levar o patrocínio do projetoO grupo mineiro Mímulos é um dos primeiros a levar o patrocínio do projeto

Quem acompanha o cenário cultural no Brasil sabe que quando se fala sobre dança apenas alguns nomes surgem à cabeça (e na mídia). Débora Colker e Ana Botafogo são sem dúvida os mais conhecidos, sinônimos de qualidade. Mas em um país com ritmo enraizado em suas tradições a profusão de companhias competentes em diferentes áreas é uma realidade.

+ "Pina": Wim Wenders explora a obra de Pina Bausch no primeiro filme de arte em 3D

Se elas não chegam aos nossos ouvidos (ou olhos!) é principalmente por falta de verba. Tanto para manter uma estrutura física quanto para formar bailarinos ou viajar com seus espetáculos. Mesmo com a Lei Rouanet o incentivo da iniciativa privada acaba sempre caindo nas mãos de quem já tem repercussão.

Bailarinos do Cisne Negro se apresentaram durante o evento desta terça (11). O grupo está prestes a fechar patrocínio tambémBailarinos do Cisne Negro se apresentaram durante o evento desta terça (11). O grupo está prestes a fechar patrocínio também
Parece, no entanto, que o cenário da dança no Brasil pode ganhar um novo fôlego. Nesta terça (11), o grupo O Boticário anunciou sua nova estratégia cultural com foco nesta área. O projeto “O Boticário na Dança” tem duração inicial de dois anos e pretende patrocinar grupos, companhias e festivais no país.

“Nosso objetivo é trazer a dança como a beleza em movimento, trabalhar a formação da platéia, fomentar novos grupos e eventos”, explica Andrea Mota, diretora executiva da marca. O programa começa patrocinando o Mímulos e o Primeiro Ato, ambos de Belo Horizonte, além do “Festival Internacional Viva a Dança” e o “Festival de Dança de Joinville”.

Outra novidade é o primeiro “Festival O Boticário de Dança” que acontecerá entre os dias 1 e 9 de maio de 2013. Em parceria com a Duetto Produções e a XYZ Life, o evento levará espetáculos inéditos sob a curadoria do alemão Dieter Jaenicke para São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

Entre as companhias nacionais estão a Mímulos, Bruno Beltrão (do Rio de Janeiro) que incorpora dança de rua à dança contemporânea e a Quasar, companhia de Goiânia com maior expressão na dança contemporânea hoje no Brasil. Além das internacionais Peeping Tom, da Bélgica, que traz poesia aos movimentos para falar de sentimentos humanos; Shen Wei, com coreógrafo que fez a abertura dos jogos Olímpicos de Berlim e a Hofesh Schecter, grupo inglês que coloca guitarristas de heavy metal no palco para compor a trilha sonora.

“Os critérios de seleção foram o ineditismo, a diversidade e a beleza dos espetáculos. Temos propostas que vão da dança contemporânea ao ballet contemporâneo, para reunirmos públicos diferentes no festival”, conta Dieter. Estão prometidos também ensaios abertos e workshops gratuitos. Os ingressos custarão entre R$15 e R$100.

Grupo britânico Hofesh Schecter virá pela primeira vez ao BrasilGrupo britânico Hofesh Schecter virá pela primeira vez ao Brasil


DINHEIRO NO BOLSO


Para a produtora Monique Gardenberg, da Duetto Produções, a dança tem um público muito fiel no Brasil e esta é a oportunidade de fazer a arte “florescer” no país. “Quando a companhia da Pina Bausch veio para São Paulo tivemos cinco dias de teatro lotado e com ingresso na casa dos R$400”, reflete.

Andrea Mota, do O Boticário, Monique Gardenberg, da Duetto Produções e Ana Botafogo apresentaram o projetoAndrea Mota, do O Boticário, Monique Gardenberg, da Duetto Produções e Ana Botafogo apresentaram o projeto


O alemão Dieter Jaenicke conta que a dança contemporânea é, na opinião dele, a arte que mais cresce no mundo. “Não vejo outra arte tão aberta para as inovações e com crescimento de público significativo nos últimos anos”.

Ana Botafogo, que apresentou a novidade no Theatro Municipal de São Paulo, acredita que este será um marco da dança no Brasil. “Acho que nunca tivemos tanto apoio como agora”, disse emocionada. A previsão da marca é investir de R$10 mil a R$15 milhões nos próximos três anos, prospectando projetos via Lei Rouanet ou leis de incentivos estaduais.

Quanto aos críticos e ao público fica a torcida para que a diversidade também fale alto na hora da seleção dos próximos agraciados pelo patrocínio – do grupo mais alternativo, ao mais regional, do mais tradicional ao mais jovem e expoente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

EURÍPEDES - DRAMATURGO GREGO

Dramaturgo grego
Eurípides

480 a.C., Salamina (Grécia)
406 a.C., Pela (antiga Macedônia, Grécia)
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
A influência de Eurípides estende-se de Sêneca até Sartre, em pleno século 20


Eurípides viveu, aproximadamente, entre 480 e 406 a.C. Nasceu em Salamina e morreu em Pela, na Macedônia. Pouco se sabe a respeito de sua vida. Casado duas vezes, teria o costume de escrever e meditar em completo isolamento, numa gruta em frente ao mar. Venceu quatro vezes o festival de teatro ateniense.

Ao contrário de Sófocles, que foi o dramaturgo preferido por seus contemporâneos, Eurípides nunca desempenhou qualquer atividade política; contudo, em suas tragédias, a preocupação política é quase uma constante.

Eurípides passou os últimos anos de sua vida na Macedônia, na corte do rei Arquelau, onde foi recebido com honrarias. Segundo a tradição, teve uma morte trágica: teria sido despedaçado, acidentalmente, pelos cães de caça do rei.

Temas e personagens

As peças de Eurípides enfocam situações marcadas por tensões emocionais violentas, mostrando homens e mulheres dominados por paixões ou dilacerados por impulsos conflitantes. Para alguns estudiosos, esse dramaturgo chegou mais perto da vida cotidiana do que Ésquilo e Sófocles.

O teatro de Eurípides é marcado por questionamentos que enfrentam a religião e a moral tradicionais, demonstrando uma vigorosa independência intelectual e, quase sempre, escandalizando seus contemporâneos. Ele soube mesclar o amargor de suas reflexões sobre o destino dos seres humanos à admiração pelo heroísmo e pela natureza.

Em sua disposição para discutir todos os aspectos da vida humana, esse dramaturgo reflete a preocupação fundamental de todos os grandes escritores: o homem. Eurípides ataca a família não porque esta se oponha ao Estado, mas porque ela violenta a liberdade individual. Ele analisa, assim, o homem sozinho, com sua razão, seu sofrimento, seus pensamentos. O homem, desde que tenha liberdade para agir, não é mais um instrumento da vontade dos deuses, mas responsável por seus atos. Consciência e arrependimento surgem, dessa forma, como as conseqüências naturais da liberdade de agir.

Mas Eurípides também tratou do amor em suas diferentes formas: o amor conjugal, o amor materno, o amor arrebatado. E criou personagens femininas inesquecíveis. Ao contrário dos homens, em geral desagradáveis e de caráter fraco, as mulheres de Eurípides são nobres, ternas, piedosas - e freqüentemente sacrificam-se para salvar o marido, os filhos ou a pátria.

Dentre as 17 tragédias e o drama satírico que chegaram até nós, duas peças são as mais importantes: Ifigênia em Aulis, de forte lirismo, e As Bacantes, a tragédia na qual Eurípides estuda as limitações da razão humana, avessa aos mistérios que transcendem o mundo material, e condena os excessos da religião.

Sua peça mais popular, no entanto, talvez seja Medéia, a esposa traída que, para vingar-se do marido infiel, mata sua rival e os próprios filhos. Em Hipólito, uma de suas tragédias mais amargas, o protagonista, depois de salvar sua família, sofre um acesso de loucura e assassina o pai, a esposa e os filhos.

Eurípides influenciou uma série de escritores: Sêneca, Racine, D'Annunzio e Sartre. E, através de Sêneca, podemos encontrar traços de Eurípides em Calderón e Shakespeare

Enciclopédia Mirador Internacional e Dicionário Oxford de Literatura Clássica (Jorge Zahar Editor)

ÉDIPO REI

O MITO DE ÉDIPO REI

Na antiguidade, os gregos cultuavam uma série de deuses (Zeus, Hera, Afrodite, etc.) e semideuses, acreditando que os mesmos tinham forma humana. Por isso, a religião deles era conhecida como politeísta antropomórfica.

A distinção entre deuses e semideuses se dava através do fato de que os deuses eram imortais e provenientes da geração divina. Já os semideuses eram fruto da relação de um deus com uma mortal e não tinham a imortalidade.

Um mito clássico na História da Filosofia é o da tragédia[1] Édipo rei, que posteriormente, no século XIX, foi utilizado por Freud para falar do amor dos filhos para com os pais durante a infância . A história é seguinte:

Laio, rei da cidade de Tebas e casado com Jocasta, foi advertido pelo oráculo[2] de que não poderia gerar filhos e, se esse mandamento fosse desobedecido, o mesmo seria morto pelo próprio filho, que se casaria com a mãe.

O rei de Tebas não acreditou e teve um filho com Jocasta. Depoisarrependeu-se do que havia feito e abandonou a criança numa montanha com os tornozelos furados para que ela morresse.A ferida que ficou no pé do menino é que deu origem ao no me Édipo, que significa pés inchados. O menino não morreu efoi encontrado por alguns pastores, que o levaram a Polibo, o rei de Corinto, este que o criou como filho legítimo. Já adulto, Édipo também foi até o oráculo de Delfos para saber o seu destino. O oráculo disse que o seu destino era matar o pai e se casar com a mãe. Espantado, ele deixou Corinto e foi em direção a Tebas. No meio do caminho, encontrou com Laio que pediu para que ele abrisse caminho para passar. Édipo não atendeu ao pedido do rei e lutou com ele até matá-lo.

Sem saber que havia matado o próprio pai, Édipo prosseguiu sua viagem para Tebas. No caminho, encontrou-se com a Esfinge, um monstro metade leão, metade mulher, que atormentava o povo tebano, pois lançava enigmas e devorava quem não os decifrasse. O enigma proposto pela esfinge era o seguinte: Qual é o animal que de manhã tem quatro pés, dois ao meio dia e três à tarde? Ele disse que era o homem, pois na manhã da vida (infância) engatinha com pés e mãos, ao meio-dia (idade adulta) anda sobre dois pés e à tarde (velhice) precisa das duas pernas e de uma bengala. A Esfinge ficou furiosa por ter sido decifrada e se matou.

O povo de Tebas saudou Édipo como seu novo rei, eentregou-lheJocasta como esposa. Depois disso, uma violenta peste atingiu a cidade e Édipo foi consultar o oráculo, que respondeu quea peste não teria fim enquanto o assassino de Laio não fosse castigado. Ao longo das investigações, a verdade foi esclarecida e Édipo cegou-se e Jocasta enforcou-se.

Medéia

Medéia depois de salvar a vida de seu grande amor Jasão num episódio extremamente trágico, o qual acaba por matar e esquartejar seu próprio irmão (fatos contados em outro momento, por outros poetas gregos e que também fazem parte da mitologia grega), refugiam-se com seu amado em Corínto, cidade grega, casam-se e têm dois filhos. Depois de algum tempo Jasão, homem de pouca valia, larga a mulher e os filhos para casar-se com a filha do rei Creonte. Quando Médéia soube, sentiu-se humilhada e triada por seu amor, principalmente por tudo que já fez por seu herói. Em seus gritos e lamentos desesperados, culpa a princesa e ao rei por todo o seu sofrimento.
O rei sabendo tais lamentos e conhecendo a personalidade forte, vingativa e desumana de Medéia, decide expulsá-la da cidade com seus filhos, temendo que ela se vingue e provoque uma tragédia em seu reino. Em um diálogo entre os dois Medéia, dissimulada, com aparente resignação pede mais um dia para procurar um lugar longe para ir com os filhos. O rei concede apenas aquele dia, pois se ela estiver lá ainda com o nascer do dia ela a matará.
Assim, a mulher procura o ex-marido e implora para que ele fique com seus filhos morando todos no castelo enquanto ela ia embora e os deixaria livres, Jasão concorda e Média segue com seu plano. Depois de fazer algumas bruxarias ela entrega aos filhos um presente para a princesa: um belo vestido e uma coroa, ambos envenenados. Ao vestir o o presente, a princesa cai morta pelo veneno e seu pai que corre para socorrê-la e a abraça, morre também. Ao presenciar tal catástrofe, Jasão vai para casa para salvar os filhos e os encontra, ambos mortos pela mãe. Desta forma Média vinga-se de Jasão retirando toda a sua descendência, extirpou sua posteridade, que para o homem é um bem maior.


Missão Cruls



  Depois de um longo processo de apropriação de uma técnica,  movida pela necessidade de aprimorar e reelaborar uma nova proposta e um vocabulário próprio em cena, veio a constatação de que ser atriz e dançarina é sempre começar do zero. Lembrei da história daquele sábio que recebe uma visita,  o sábio ao servir o chá  continua com  o ato, apesar da xícara estar transbordando, o homem que estava sendo servido movido pelo desespero, pede para que ele pare, então o monge sabiamente lhe transmite a lição:- Se você continuar cheio como esta xícara não está pronto para receber e aprender.Vivemos um momento sublime , temos todas as informações que precisamos,  mas o que fazer com elas? Só a sabedoria nos salva.
  Esse ano fiz a minha ultima temporada do espetáculo Baraka e declarei a todos que fechei um ciclo com a Índia, para a minha surpresa essa semana fui a três espaços de rituais sem nenhuma relação com a índia, e  no entanto  para a minha surpresa ela estava presente. Hoje entrei no carro de uma amiga para ir a uma festa, tocava no carro música Indiana.,durante a festa eu dançava livremente samba e as pessoas comentaram que os meus movimentos lembravam, a essa altura todo mundo sabe a que lugar me refiro.
   Eu não sou prisioneita de uma técnica e nem pretendo ser "o samba de uma nota só",.Entendo que o corpo não mente e que mudanças são feitas por camadas, como a cebola e que o corpo tem memória e energia, então tudo na minha arte apesar de me sentir no ponto zero, recomeçando, meu corpo continua com a memória atual, vou precisar de trabalhar muito duro para devolver a ele outros aspectos da minha corporeidade para acessar outras memórias.
   O importante é que esse blog vai se ocidentalizando aos poucos e a minha mente vai atravessar o" oceano de leite" em busca de uma nova morada, novas portas que  querem e precisam ser abertas.
Eu sou nômade e não consigo ficar engessada, eu quero a  minha passagem de volta para o Ocidente  , Brasil , Nordente e Centro-Oeste e Brasília.
   Começou  a minha missão Cruls, estou  em plena marcha.


  Agora  vou compartilhar todo o meu processo de pesquisa para essa nova montagem, quem quiser viajar comigo, sinta o chamado.

Exploração e Estudos do Planalto Central
Comissão Cruls

Flavio R. Cavalcanti
1ª Missão: – Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil

O presidente Floriano Peixoto fez mais do que "cumprir" o dispositivo constitucional que determinava a mudança da capital, sem fixar prazo ou urgência — sua mensagem ao Congresso destacava a "necessidade inadiável" da mudança.

Em 1892, o Congresso aprovou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, formada pelo engenheiro belga Luís Cruls, diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, e outros 21 membros, entre cientistas, técnicos e militares [além de um "contingente de militares", citado apenas por Mourão]. Segundo um dos participantes, Floriano Peixoto lhes garantiu mudar a capital ainda em seu mandato (1891-1894), nem que tivesse de instalar o governo em barracas de campanha.

Essa 1ª Missão Cruls partiu do Rio de Janeiro em junho de 1892, repetindo exatamente o roteiro de Varnhagen, por ferrovia até Uberaba, no Triângulo Mineiro, ponto final dos trilhos da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro. Dali, seguiu a cavalo — com quase 10 toneladas de bagagens e equipamentos, em 200 baús de madeira — até Pirenópolis, Santa Luzia (Luziânia) e Formosa.

Após monumental coleta de informações, medições, levantamentos etc., ali lançou quatro marcos definindo uma área entre as três cidades — o retângulo Cruls, de 160 por 90 km — abrangendo nascentes das bacias dos maiores rios brasileiros, Amazonas, São Francisco e Paraná.

De volta ao Rio de Janeiro, após 13 meses de viagem, uma exposição na sede dos Correios e Telégrafos apresentou mapas, fotografias e amostras do solo, flora e fauna do planalto. O relatório da 1ª missão Cruls — bastante conhecido como "Relatório Cruls", ou "Relatório completo" — foi publicado por Lombaerts, em 1894. Antes, porém, um primeiro relatório parcial já havia sido apresentado ao governo e publicado no Diário Oficial da União em junho de 1893.

Ao rejeitar uma proposta de exploração de outra área — entre a Bahia, Goiás e Piauí — e determinar estudos mais detalhados, o Congresso Nacional praticamente oficializou a área demarcada para sediar o futuro "Districto Federal". A partir de então, o "retângulo Cruls" passou a constar de todos os mapas do Brasil.
2ª Missão: – Comissão de Estudos da Nova Capital da União

Cruls recebeu do governo Floriano Peixoto, em 1894, a incumbência de uma segunda missão — instalar uma estação meteorológica no local; providenciar ligação telegráfica à rede mais próxima; proceder ao reconhecimento da ligação férrea ou férreo-fluvial; escolher o local da cidade dentro do quadrilátero; e aprofundar levantamentos sobre o clima, abastecimento de água, topografia e natureza do terreno.

Nesta segunda visita, o botânico Glaziou destacou as condições favoráveis à criação do lago Paranoá — onde, na sua opinião, teria havido um lago natural em priscas eras.

Os trabalhos da segunda missão Cruls prosseguiram até o final de 1895, quando foram interrompidos por falta de verba, e de interesse do governo Prudente de Morais. Apenas os militares integrantes da Comissão de Estudos puderam se manter no local, precariamente, reduzidos ao soldo fixo, para a guarda do equipamento — caríssimo —, até que se votasse uma verba emergencial, suficiente apenas para levá-lo de volta ao Rio de Janeiro.

Um segundo relatório parcial — aparentemente jamais reeditado — foi publicado em 1896, com informações sobre a ligação ferroviária. No mesmo ano, foi suprimida a estação telegráfica de Mestre d'Armas (Planaltina), presumivelmente instalada pela 2ª Missão Cruls.
Nesse período, de 1893 a 1897, Minas Gerais construiu e inaugurou sua nova capital, Belo Horizonte — inicialmente chamada "Cidade de Minas" —, em substituição à cidade de Ouro Preto.

Mapa do Brasil de 1893, já com o "Retângulo Cruls" indicando o futuro DF
Fonte: A mudança da capital Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil
Rio de Janeiro, 1894
(Codeplan, Brasília, 1992)
1ª Missão Cruls – 1892-1893
Trata-se do famoso "Relatório Cruls" (1894), referente à 1ª Missão Cruls (1892-1893), durante o governo Floriano Peixoto.

Relatório da Comissão de Estudos da Nova Capital da União
Typo-lith. Carlos Schmidt, Rio de Janeiro, 1896
2ª Missão Cruls – 1894-1896

• Instruções (1894)
• Pessoal e itinerários
• Trabalhos
• Ferrovia Catalão-Cuiabá
• Ofício Cruls
• O local quase escolhido
• Relatório de Glaziou
Trata-se do Relatório "parcial" (1896), referente à 2ª Missão Cruls (1894-1895), abortada pelo corte de verbas no governo Prudente de Morais.








Atlas Melhoramentos, de 1957: ainda o antigo "Retângulo Cruls"
Comissão Cruls
1ª Missão Cruls – 1892-1893
Índice | Introdução | Carta de Glaziou | Índice das fotos | Relatório | Pessoal | Ferrovias e desenvolvimento
2ª Missão Cruls – 1894-1896
Instruções | Pessoal e itinerários | Trabalhos | Ferrovia Catalão-Cuiabá | Ofício Cruls | Agricultura | O local quase escolhido | Relatório de Glaziou
A via Cruls | Louis Ferdinand Cruls
Brasília e a ideia de interiorização da capital
Hipólito | Bonifácio | Independência | Vasconcelos | Império | Varnhagen | República | Cruls | Café-com-leite
Marcha para oeste | Constitucionalismo | Mineiros | Goianos | Ferrovias para o Planalto Central
Marcos históricos de Brasília
O Plano Piloto de Lúcio Costa | A escolha do Plano Piloto | O lago de Glaziou
A origem do Catetinho | Vida e morte de Bernardo Sayão
O massacre da Pacheco Fernandes
A logística da mudança | Os trens experimentais | A chegada do trem
A Pedra Fundamental | Missão Cruls | Relatório Cruls
Carta de Formosa | Emenda Lauro Müller
A idéia mudancista | Documentação

domingo, 18 de novembro de 2012

Respeitável Público



   Na faculdade lembro de um professor de sociologia da arte que  gostava de falar sobre a manipulação do gosto, sobre  como a nossa percepção da realidade pode ser adulterada. Se a arte perdeu a aura em função da sua fácil reprodução e difusão ditadas pelo mercado e pela mídia. O que  consideramos bom precisa do crivo da mídia? O talento está em último lugar? Anos de faculdade, estudo e elaboração de técnica servem para quem? Se estamos totalmente mediados? A busca por uma arte sublime que eleve o ser humano de bípede a " homo sapiens" continua apesar de tudo.       Muitos artistas,  continuam na tentativa de manter nosso legado, dos nossos ancestraes.  Eu não acredito em arte só para entreter, não posso comprar um quadro apenas para combinar com o sofá da sala, não consigo ver um filme ser entender que aquela determinada luz, o roteiro, e tudo o que envolve aquela linguagem foi feita para eu me entupir de pipoca no shoping, ou torcer para um vampiro se apaixonar e outras bobagens, ou uma música que não me emociona ou me faz pensar em mim mesma. Arte ruim não serve para nada. Em todas as civilizações a arte dava sentido a humanidade. No Egito um escravo não carregaria pedras para fazer uma pirâmide se aquele ato não estivesse ligado a morte e a eternidade do Faraó, os gregos assistiam tragédias e comédias durante três dias,para se purificar, ver os seus dilemas retratados , e fazer a sua catarse, enfim olhar para a sua humanidade ." A arte não deveria ser um exercício de vaidade e sim de espiritualidade". Eu fico pensando na próxima civilização que vestígios vamos deixar, qual vai ser o nosso legado? Ruínas de bundas? Eu thuuu eu quero thaaa?  Ai se eu te pego, quantas pessoas brigando pela autoria dessa obra -prima". Mas espero que no futuro o melhor do ser humano seja o nosso grande legado.


domingo, 11 de novembro de 2012

última temporada do Espetáculo Baraka

Queridos Amigos, Queridas Amigas.
Meus Mestres, Minhas Mestras.
Meus Alunos, Minhas Alunas.
A Todos e Todas Pessoas Que Amam as Artes.
Aos Artistas, Às Artistas:


No próximo fim de semana (dias 17 e 18/novembro/2012) encerro mais um ciclo da minha vida artística. Explico: após duas décadas de pesquisas, estudos, ensaios e shows, retorno da distante, misteriosa e milenar cultura indiana em direção a história, lendas e personagens de minha própria terra: o Brasil. Mais especificamente, Brasília. Trago na bagagem a fecunda e bela experiencia adquirida com os ensinamentos de um dos povos, culturalmente, mais ricos da Terra.
A cultura da Índia jamais me abandonará. As sutis e complexas nuançes da expressão artística daquele povo, especificamente na dança, me embalarão para sempre e guiarão, não só meus pés enquanto danço. A experiência adquirida está presente em minha mente e me guiará sempre que,
ao pisar no palco, a cortina abrir-se e as luzes forem acesas. Assim, minha alma e meu corpo, junto com outros ensinamentos e experiencias que decerto virão, poderão manifestar-se plenamente para que a arte da dança continue a encantar a todos que apreciam, estudam e gostam das artes cênicas.      É a arte que, inquieta, renova-se e se recusa a ficar estática.
Assim, o Espetáculo de Dança-Teatro Baraka será apresentado em sua última temporada,        depois de um ano de sucesso gratificante que, confesso, me surpreendeu.
Foram muitas apresentações em Brasília e no Brasil.
O reconhecimento do público foi maior que todos os esforços e me animou.                               Agradeço a todos e todas que assistiram, aplaudiram e estiveram na platéia comigo e no camarim,
após as apresentações. Como tudo na vida, o Espetáculo de Dança-Teatro Baraka
teve seu começo, meio e, agora, chega ao seu fim. Por isso tudo, convido a todos e todas vocês         para as duas últimas apresentações do Espetáculo de Dança-Teatro Baraka.
Ficarei muito feliz se puder abraçar a todos e todas vocês.
Estas duas últimas apresentações do Espetáculo de Dança-Teatro Baraka são dedicadas                   a arte da dança. São dedicadas a todos e todas voces. Vamos celebrar juntos!
Conto com a presença de todos e todas. Até lá.

TOMEM NOTA:
Espetáculo de Dança-Teatro Baraka      
Criação, Pesquisa, Coreografia, Produção, Direção e Performance: MIRABAI
LOCAL: Complexo Cultural Brasil 21
Setor Hoteleiro Sul, Quadra 06, Conjunto A, Bloco A, Sala 03.
(Ao lado da Torre de TV).
DATAS: 17 (sábado) e 18 (domingo)/novembro/2012
Sábado: 17 de novembro, 21 hs.
Domingo: 18 de novembro,  20 hs
INGRESSOS: 40,00 e 20,00 (livre para todos os públicos).
Contatos: <mirabai_bsb@yahoo.com.br>
ou (61) 8193-7129 (Carlos Guilherme) <bsbcapitalbr@gmail.com>



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Complexo Cultural Brasil 21 última temporada do espetáculo Baraka da atriz-dançarina Mirabai

Espetáculo de dança Baraka última temporada no complexo Cultural Brasil 21
data - 17 e 18 de novembro
hora - Sábado dia 17 /11 - 21:00 horas
           Domingo dia 18/11- 20:00 horas

 Ingressos - 40,00 inteira 20:00 meia

Complexo cultural Brasil 21 última temporada do espetáculo de dança Baraka






    O espetáculo Baraka é o resultado de anos de pesquisa sobre a minha gestualidade e investigação para criar a minha expressividade.Tudo o que se refere a identidade ou assinatura necessita de tempo e tempo exige sabedoria para se ter paciência consigo mesmo.A cultura do entretenimento de fácil digestão e os prazos gerados por patrocínios e a própria ância de nascer logo são desafios.Afinal como conciliar a necessidade de se fazer uma arte verdadeira e profunda com o fantasma do dinheiro, do tempo , da alma para concretizar uma idéia? Fico pensando no Charles Chaplim que era uma grande perfeccionista e chegava a gravar uma cena trezentas vezes, algo impensável nos anos 20!
    Eu acredito no caminho do meio, o Baraka levou quatro anos para ser realizado e ele é apenas o começo da minha tragetória que inclue um processo, sou uma "obra em progresso" .Encerro esse ciclo India ou oriente sabendo que hoje são ferramentas de trabalho, um veículo para chegar mais perto de mim, de minha sombra e minha luz.Falar de minha aldeia para  que cada gesto seja o caminho para acessar a minha memória corpórea , deixar o corpo falar sobre todos os que vieram antes de mim, a vibração contida numa árvore, um pôr do sol.Gostaria de agradecer a todas as pessoas que saíram de suas casas e abriram mão de outros chamados ou convites para me ver em cena, no palco sem cenário ou luz mirabolante, sem fumacinha ,tudo estava lá escrito no meu corpo pronto para ser narrado. Gratidão a cada aplauso, isso é o que todo artista espera e  compensa toda a sua vontade de deixar a sua humanidade no mundo.

domingo, 23 de setembro de 2012

A PRESENÇA EM CENA

Alguns aspectos de um possível paradigma da contemporaneidade , em consonância com as discussões atuais como sendo: a multisensorialidade , a disponibilidade para criar a partir da identidade e diversidade, interdiciplinariedade, o relativismo, e os métodos comparativos. A noção de performance aliada a ritos,rotinas, disciplina,.a dança fazendo parte da vida individual e coletiva, uma forma sensorial e perceptiva. A experiência  e  a expressão  se reúnem.Procuro técnicas corporais que induzam a um fluxo diferenciado de energia , a uma intensificação da presença e consequentemente a uma alteração do meu estado perceptivo.Quando estou em cena estou totalmente dentro de mim, o palco é o único lugar no meu mundo onde nenhuma intervenção, nada mesmo, me tira do meu estado de presença absoluta no aqui e agora.Atualmente fiz um exercício fantástico da Biodança , dançar como se fosse a minha última oportunidade de me comunicar, e dizer o que sinto, de ser eu mesma, isso amplia a minha urgência de falar o que nem sei bem o que é, um lugar onde as palavras não chegam, onde nem toda essa minha tentativa de me explicar, me reinventando com um olhar bem aberto para semiótica, ritos, símbolos, arquétipos,transculturalidade,e tudo o que explica a presença humana, tudo isso me  ajuda., mas eu  não tenho legenda.
  Prefiro sair do esquema "entrar muda e sair calada", dançar é pouco , preciso publicar a necessidade de expressar o que penso,perco horas de sono e muito tempo , treinando , estudando, lendo, visitando o passado,escrevendo. Sinceramente eu acho que não é perda de tempo, só me enriquece, enfim , eu posso levar um texto, ou compartilhar minha visão, minha técnica, só dançar, para mim é pouco, quero me descobrir.Tudo bem concordo que a arte não deveria ser explicada,  e sim sentida, apreciada, aquele espaço da alma que é aberto para receber sabedoria , encantamento pela espécie humana, sonhos .Eu tento com  a minha arte  cunprir esse objetivo.Mas não quero ser a  cereja de bolo de ninguém, nem tampouco o quadro que vai combinar com o sofá da sala.Eu sei que "instantes de beleza" são importantes, mas eu preciso da lucidez, meu maior inimigo é a ignorância.

domingo, 16 de setembro de 2012

MIRABAI - SOLOS FÉRTEIS

O festival solos férteis em sua essência é feito da alma feminina .Não tive o priviégio de ver  todos  os espetáculos; o pouco que vi percebi verdade, o que considero de mais precioso na arte e a presença da simplicidade.Ao mesmo tempo não é fácil ser simples, exige técnica muito apurada e profundo conhecimento de sí mesma.O palco é o território sagrado onde se presentifica histórias pessoais , símbolos que são a todo momento bússolas que marcam um tempo e um espaço atemporal , fragmentos de vidas , pedaços de emoções.
Eu era atriz de um importante grupo de teatro aqui em Brasília, apesar da dança sempre caminhar comigo.Um dia eu chego no teatro para ensaiar e uma atriz do grupo me olha nos olhos e dispara" Mira acabou!" e eu fiquei sem entender nada , acabou ? Como assim? O diretor detonou o grupo, eu fiquei sem chão.Naquele momento abracei o meu processo na certeza de que nunca mais alguém  terminaria algo por mim ou que pelo menos eu eu tenha o direito conquistado de participar dele. Virei uma artista solo e interessante é que solo e aqui falo de terra mesmo aparece de maneira proeminente no simbolismo mundial de uma perspectiva de posse , a reinvidicação da terra é um ato simbólico de poder riqueza, nacionalismo ou de identidade.
  Alguns espetáculos que vi durante o festival Solos Férteis, notei além do universo mitológico pertencentes ao universo de cada atriz, seus objetos expostos em cena como se fossem baús para serem abertos e eu sentia e via cada palavra ou som saindo daquels objetos , roupas,instrumentos musicais , distribuídos no palco a memória, rompendo o silêncio.Muito me chamou a presença da cadeira em alguns solos de atrizes que se apresentaram  e a cadeira além de simbolizar poder , altoridade de classe superior, uma cadeira vazia pode simbolizar ausência ou solidão, nesse caso a cadeira nunca estava vazia e sempre apontava  para outro caimnho, um convite para levantar e andar com as próprias pernas. Assim senti e percebi também que a cadeira também é usada para os visitantes e para as pessoas mais importantes da família, e é preciso entrar para a família de pessoas que querem contar alguma coisa.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

SOLOS FÉRTEIS -FESTIVAL INTERNACIONAL DE MULHERES NO TEATRO


ABERTURA

SEGUNDA-FEIRA
10/09 19H30
CIA. NA PONTA DA LÍNGUA (SP)
Presentes desde a primeira edição do SOLOS FERTEIS o grupo tem na Ponta da Língua histórias como: VasalisaLa LobaUma fábula sobre a fábula , o Violino Cigano. Há 4 anos pesquisam contação de histórias e teatro prezando a oralidade e a criatividade do ator de dar vida a estas imagens! Entre os integrantes estão: Luiza Bitencourt, Paula Miurim, Marlucy Fontenelle, Marcela Derpich e Rafael Ambrosin.

10/09 21H
PALHAÇA MATUSQUELLA E PIPOCANDO POESIA (DF)
No Pipocando Poesia, Manoel de Barros tem sabor de alecrim e também pode-se provar um tantinho de Ferreira Gullar, de Adélia Prado, de Hilda Hilst — doces ou salgados. Uma vitrine poética com sabor todo especial da performance solo da Palhaça Matusquella (Manuela Castelo Branco). Produtora, escritora , pipoqueira , palhaça e professora na Escola de Música de Brasília, criou e coordena o Encontro de Palhaças de Brasília - Bienal Internacional de Palhaças. Em 2012, inaugurou a CiRcA Brasilina, o primeiro picadeiro feminino do Brasil.

                  
                  TERÇA-FEIRA
                  11/09 21H  
UMA SAIA CHEIA DE HISTÓRIAS (DF)
Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado; Uma Ideia toda azul e A Moça Tecelã, ambas de Marina Colasanti; e Maria - Vai - Com - As - Outras, de Sylvia Orthof, estão nas mãos, dedos, saias, e voz de Rose Costa. Professora de teatro da Rede Pública de Ensino desde 1990, e pós-graduada em “O Cordel e a Arte numa Prática Pedagógica”, é atriz, contadora de histórias e escritora. Pesquisa e escreve para o universo infantil. Rose escreveu dois livros que estarão a venda nesta noite a partir das 19h no Foyer do teatro e confecciona todo seu material de trabalho para a contação de histórias. Em 2010, criou o grupo “Cirandeiros”.


QUARTA-FEIRA
12/09 21H
BRANCO SILÊNCIO DAS HORAS (MG)

Criação e atuação de Letícia Castilho, inspirado em A branca voz da solidão, de Emily Dickinson. Uma mulher, após inúmeras tentativas frustradas de desaparecer, opta por viver dentro de uma caixa pelo resto da sua “não-existência”. Letícia Castilho é atriz e foi professora de atuação e improvisação da UFMG. Atualmente, desenvolve a dissertação “Dramaturgia do ator: uma escrita sobre si mesmo”. Recém convidada para  integrar a Cia. YinsPiração, é uma Magdalena desde 2008 e parte do staff do SOLOS FÉRTEIS desde sua origem.


QUINTA-FEIRA
13/09 21H
O VERBO TOCAR (DF)
Iara Ungarelli nos apresentar a viola da gamba, um instrumento que tem seu som inspirado na voz humana e suas possibilidades artísticas ao fazer música antiga de uma maneira inovadora. Revelando os caminhos que uma mulher faz para encontrar a excelência, a delicadeza e a força, próprias do ser humano.  Formada na EMB, integra os grupos Trovas D’Outrora, Gambas Candangas e o grupo Sonare. É professora de extensão de Música para Crianças na UnB. O Verbo Tocar é uma peformance em parceria com a diretora Luciana Martuchelli.
  


SEXTA-FEIRA
14/09 21H
BARAKA (DF)
Baraka, palavra que tem sua origem no sufismo, significa sopro, respirar junto, a presença do sagrado da vida. Nesta performance, inspirada em rituais de várias tradições pertencentes a diversas culturas, a presença feminina é fonte de inspiração. Idealizado pela dançarina, atriz, pesquisadora e professora Mirabai, cujo trabalho é influenciado pelo Oriente e na sua dança pessoal. Estuda Dança Clássica Indiana desde 1987, no estilo Bharata Natyam. É pesquisadora do Nô, Kyôgen, Kutipudi, Odissi, Máscaras Balinesas e da Antropologia Teatral.


DE 10 A 15/09 ( SEGUNDA-FEIRA À SABADO )
TODOS OS DIAS PARTIR DAS 19H
ATELIER CULTURAL BAZAFRO (DF)  
Criado com o objetivo de trabalhar a autoestima, preservação da cultura e a valorização da africanidade brasileira através da moda étnica arte e cultura. Desde 1990 quando mulheres negras de uma mesma família reuniram-se para traçar uma proposta inovadora e realizar este trabalho. Túnicas, Batas, turbantes, Bijouterias, Vestidos, Amarrações, Penteados e muito mais.  Coordenado  por  LYDIA GARCIA  arte-educadora  formadas em  música  e MALI GARCIA   a atriz, estilista e artesã.


PERFORMANCE DE MIRABAI NO SOLOS FÉRTEIS



Brasília estará semeada de teatro de altíssima qualidade com convidadas de várias partes do mundo e, claro, candangas!

Compareçam e aproveitem !!!!

Programação completa no site www.solosferteis.com.br ou direto no link 
http://solosferteis.blogspot.com.br/p/programacao.html


domingo, 29 de julho de 2012

DANÇA EXPRESSIONISTA - MARY WIGMAN



O expressionismo que surge com as artes plásticas, no início do século XX, também absorve a literatura, o teatro e o cinema, com uma estética sombria e conteúdo pessimista, refletindo a angústia de uma geração. A dança moderna que já vinha se contrapondo à dança acadêmica, ganha mais umarepresentante, que se alinha às propostas estéticas do movimento expressionista, a bailarina e coreógrafa Mary Wigman.
A alemã Mary Wigman, a precursora da dança expressionista, não se limitou a propagar modelos aprendidos. Em sua primeira fase expressionista, aliou-se ao artista plástico Expressionista Emil Nolde, de quem era amiga, cujas máscaras que produzia lhe inspiravam uma dança trágica, de movimentos sôfregos. Neste sentido, o rosto sendo ocultado, sob formas ameaçadoras e rígidas, o corpo passa expressar todo o potencial emotivo. O grotesco passa a ser uma característica de sua dança.
Para Mary Wigman, a dança não deveria interpretar a música, mas ser composta junto com o coreógrafo. Encontrando dificuldade nesta parceria, muitas de suas criações foram coreografadas sem música, utilizando ritmos marcados com os pés descalços ou por pequenos conjuntos de percussão. Isto torna ainda mais trágico o caráter de sua arte.
Sua dança não pretendia contar uma história, não tinha um caráter narrativo. O que pretendia era concentrar em símbolo ou mito aquilo que está nascendo, o que é emergente.
Na época da segunda guerra, os nazistas fecharam sua escola de dança, considerando sua arte "degenerada", passando a ser vigiada como "elemento perigoso". Após 1945 reabriu sua escola. Sua discípulo Hanya Holm foi para os Estados Unidos e abriu uma escola, perpetuando o estilo de dança expressionista de Mary Wigman.






DANÇA EXPRESSIONISTA E MARY WIGMAN

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O CORPO NA VIDEODANÇA


câmera / Foto divulgação
Ao longo da história do Ocidente, a sociedade se relacionou com o corpo de várias maneiras diferentes, muitas delas, preconceituosas e moralistas. Dotaram-lhe de perversidades, instintos vergonhosos, fraquezas, limitações. O corpo era imoral e afastava o homem de si, enquanto a alma o elevava ao sublime, aproximava o homem de Deus, ou da razão. Era necessário domar esse corpo, domesticá-lo, para que pudesse conviver socialmente, para que permitisse o desenvolvimento da “boa alma”. Pensamentos semelhantes se propagaram não só entre religiosos, mas também entre cientistas, artistas e filósofos.
Segundo o teórico Jesús Martín-Barbero, a comunicação audiovisual das novas mídias é vista como um desmanche da “hegemonia racionalista do dualismo que até agora opunha o inteligível ao sensível e ao emocional” (2006, p. 53). Trata-se do fim da autoridade da cultura letrada, as letras somam-se, agora, com outras formas de conhecimento, outras formas estéticas de expressão, outros campos. Vivemos um momento com grande potencial de produção e de circulação de “falas”, “um novo ecossistema de linguagens e escritas” (ibid., p. 70), caracterizado por uma pluralidade de saberes, reconciliando o cenário cultural com as oralidades, danças, músicas, mitos (construtores dos imaginários populares), hibridizados nas “novas tecnicidades”.
Desse modo, após séculos do dualismo corpo-mente e da supremacia da razão sobre o sensível, as práticas culturais evidenciam uma revalorização da experiência, do corpo, e, por conseguinte, da dança, em um contexto de superprodução e exposição de imagens. Atuar na produção de imagens hoje, especialmente imagens que tenham o corpo como centro do discurso de alguma maneira, seja um corpo dançante ou não, torna-se um elemento distintivo no mercado cultural, um signo de “conexão”[1] e por isso mesmo a cada dia mais lugar-comum.
O indivíduo, ironicamente, tem toda a “liberdade de escolha” para decidir se quer ou não ter um corpo saudável, um corpo produtivo, um corpo belo, enfim, um corpo estabelecido como ideal (habitus [2]), Foucault nos chama a atenção para o fato de que “O poder penetrou no corpo, encontra-se exposto no próprio corpo…” (1979, p. 146), não se trata de instâncias de controle agindo a partir da repressão, “mas de controle-estimulação: ‘Fique nu… mas seja magro, bonito, bronzeado!’” (ibid., p. 147).
Villaça (2002) argumenta que o limite entre a desconstrução do corpo como apropriação e a desconstrução como tática de alienação é muito tênue. O capitalismo financeiro globalizado se utiliza de valores conquistados por movimentos sociais – liberdade corporal, flexibilidade, fluidez, ousadia etc – para adotar um novo moralismo que prescreve em vez da expressão corporal, a ditadura da boa forma, em vez da afirmação da diferença cultural, um enquadramento mercadológico da diferença, esvaziando-lhe de significação. Como consequência, a dança aparece (em videoclipes, novelas, programas de auditório, filmes), frequentemente, como um meio de demonstrar um corpo saudável, sociável, sedutor, desejável; e, tão raramente, como um fim em si mesmo, uma expressão de um corpo integral.
Portanto, precisamos refletir sobre quais funções queremos exercer com esse corpo na combinação do universo das imagens que dançam. Aproveitando o momento de mais uma edição do dança em foco, pensemos na representação do corpo contemporâneo, especificamente, na videodança.
Esteticamente, a videodança começa a se definir como uma obra híbrida, nem só vídeo, nem só dança, às vezes até sem vídeo e sem dança[3], uma nova expressão artística, fruto do diálogo entre a dança e o vídeo. Como disse Alonso, “a videodança se desenvolveu a partir da própria prática, alheia às definições e normas” (2007, p. 48).
Para a concepção artística, a ausência de uma definição do seu objeto é libertadora. Como diz a bailarina e videomaker uruguaia Tamara Cubas em entrevista (BELING, 2004, s/p): “O contemporâneo se caracteriza por algo que não tem parâmetros, não tem limites, você pode pegar o que precisar para dizer o que deseja. Com a videodança ocorre o mesmo, o que importa é se você tem algo a dizer”. No entanto, para a conformação de um campo, a ausência de limites não é tão acalentadora assim. Na prática, as instâncias de legitimação precisam de parâmetros e acabam por criá-los.
Ao longo de uma pesquisa de mestrado que resultou na dissertação “Cinema, dança, videodança (entre-linguagens)”[4] observou-se que o campo, ainda em formação, já administra divergências entre seus próprios agentes. De um lado, alguns defendem, como Conrad, a especificidade da dança como uma forma abstrata de organizar o mundo através do movimento humano – “a dança não precisa de narrativa mais do que a música” (2009, s/p) – e acusam o financiamento das televisões como o responsável por ter rebaixado o nível artístico (apelando à narrativa) para atender às audiências. De outro lado, há quem diga que “Sem se curvar ao box office como Deus, não faria mal ter mais filmes de dança circulando com intenções claras” (TOWERS, 2006, p.18). Towers argumenta que o campo está tão fechado em si, na luta interna pela distinção artística, que não percebe a necessidade de dialogar com o público. Trata-se de uma luta velada em que cada vertente defende seu lugar de fala.
A pesquisa objetivou refletir sobre o espaço da videodança como fenômeno de comunicação contemporâneo, os conflitos internos e externos de conformação de um campo, com as conseqüências socioculturais deste feito. Concluiu-se que a grande questão para a videodança, que provoca uma cisão no campo, é se ela assume uma postura “introspectiva”, concentrando-se nas suas especificidades, na superação de seus próprios códigos, originando o que Bourdieu chama de “arte pela arte”, que só os iniciados têm competência artística para apreciar; ou se ela se volta para o exterior do campo, deixando de se preocupar com suas fronteiras, aliando-se a outros campos e priorizando a relação com o público. No caso da “arte pela arte”, o sociólogo Pierre Bourdieu resume o processo dizendo que:
“Além de manifestar a ruptura com as demandas externas e a vontade de excluir os artistas suspeitos de se curvarem a tais demandas, a afirmação do primado da forma sobre a função, do modo de representação sobre o objeto da representação, constitui, na verdade, a expressão mais específica da reivindicação de autonomia do campo e de sua pretensão a deter e a impor os princípios de uma legitimidade propriamente cultural, tanto no âmbito da produção quanto no da recepção da obra de arte” (2007, p. 110).
Há uma “mitificação” da produção e da recepção artística, uma construção de legitimidade proporcional à dificuldade de acesso simbólico à obra de arte. A primeira conferência Screendance: the State of the Art, em 2006, realizada pela American Dance Festival (ADF), teve como objetivo exatamente pensar nas implicações do consumo do campo da videodança.
Douglas Rosenberg, o diretor da conferência, propõe uma série de paradigmas para discussão e execução nos filmes ou vídeos de dança. Dentre os paradigmas está a questão do diretor, que muitas vezes, é a figura mais fraca na produção da videodança, que resulta em um trabalho majoritariamente do coreógrafo. Talvez não caiba na produção de videodanças a função do diretor como classicamente conhecemos no campo cinematográfico (o artista que assina a obra), mas sim uma codireção composta por duas funções, uma “dupla assinatura” do coreógrafo e do cineasta ou videomaker. Sobre a questão da assinatura do trabalho, Tamara Cubas observa que:
“Nos vídeos feitos só por um coreógrafo a tendência é exagerar no uso de efeitos. Ele faz aquilo que ele não pode fazer no palco então, por exemplo, ele cai 40 vezes, fica de cabeça para baixo… utiliza as possibilidades técnicas em demasia para fazer na tela o que não consegue fazer no palco. Por outro lado, quando é feito só por um videomaker a relação com a dança e o discurso do corpo se apresentam de modo frágil. Já quando o trabalho é realizado em conjunto, com o conhecimento e a comunicação das duas áreas, se torna mais interessante” (BELING, 2004, s/p).
No mesmo sentido, para que a videodança não fique restrita apenas à pesquisa dos parâmetros da dança, Rosenberg reivindica a autoria do diretor em consonância com a do coreógrafo, bem como a pesquisa sobre a recepção da videodança, que é diferente da fruição da dança ao vivo. Em suas palavras: “Muito foi escrito sobre o modo como nós, os espectadores, temos uma espécie de resposta complacente a corpos dançando ao vivo. Contudo, pouco foi escrito sobre como tal simpatia, essa sensação sinestésica é traduzida para a tela”[5] (2006, p.13).
A videodança é um espaço privilegiado para discussão sobre a representação do corpo na sociedade contemporânea, utilizá-lo apenas para pesquisas de movimento é subaproveitá-lo. O cinema/vídeo e a dança são duas potencialidades expressivas que tanto podem dizer muito, quanto podem dizer nada. Ou melhor, a opção de não dizer nada, na verdade, significa aceitar e confirmar o que já está dito.
Como a produção dessa nova expressão artística está traduzindo o paradoxo da nova ambiência que valoriza mais as sensações que as significações? Há desvios dos sistemas de valores da midiatização? Se a videodança inscreve a imagem e o corpo fora da lógica do consumo (como os produtores propagam), em outro registro, que registro seria esse?
A videodança ainda está procurando seu “lugar de fala”, ainda habita um não-lugar, um entre-campos, um entre-linguagens, e talvez, este seja o melhor lugar para ela estar, uma extensão do que Dubois (2004) fala sobre o vídeo – um estado – o estado da diversidade. E para que tal sentença não fique apenas no plano das ideias, é necessário diversificar a produção, a representação dos corpos e da dança, a projeção do público (campo de cinema/vídeo e campo da dança), como nos exemplos – The cost of livingDois ambientes (2004) e Divagações em um quarto de Hotel (2005). (2004), 
Ana Paula Nunes

domingo, 10 de junho de 2012

CENA CONTEMPORÂNEA- MEU CORPO É UM MANIFESTO

Comecei a perceber depois de estudar os escritos de Antonin Artaud e exaustivos treinamentos de Bharata Natyam e os exercícios desenvolvidos pelos atores do Odin Theater (Dinamarca), inclusive dancei para o encenador Eugênio Barba, que me confirmou sobre a qualidade de energia que já adquiri,na época foi muito bom ter um mestre do teatro comtemporâneo reconhecendo meu trabalho e técnica pessoal. Na verdade agradeço muito por não ter viajado para a India e mergulhado nessa cultura, hoje seria engessada .Se hoje eu não tenho fronteiras para buscar intercâmbio de técnicas para aprimorar minha técnica pessoal eu devo ao meu sentimento de liberdade e vontade de conhecer uma cultura extranha à minha , eu precisei olhar para fora para intender a minha identidade.Hoje consegui chegar na minha forma pessoal de expressividade, não é nada novo, sobre o  que faço, o conceito de dança-teatro na India é milenar e no ocidente desde 1910 com Laban! Mas não pertenço ao teatro e nem a dança, estou na fronteira, fora de Brasília encontro meus iguais, pessoas que estão usando o corpo como veículo.Não busco  o camimho mais fácil, e encontrar a própria essência em cena é trabalho para corajosos, porque você precisa se jogar, sem máscaras.Meu próximo projeto não tem índia e nem tampouco rótulo, e sim a minha alma.





O conceito de DANÇA-TEATRO vem sendo desenvolvido e modificado a partir das inúmeras experiências desenvolvidas em torno do assunto. Rudolf Laban e Pina Baush tornaram-se os representantes das primeiras iniciativas de categorizar uma expressão cênica que não conseguia se restringir nem a categoria da dança exclusivamente, nem a do teatro.
Apesar de muitos ainda tentarem transformar o conceito de DANÇA-TEATRO ou TEATRO-DANÇA num código de movimentos ou de expressão fixo, e passarem a reproduzir mimeticamente os resultados da pesquisa de Pina Baush, por exemplo, a DANÇA-TEATRO pode ser encontrada através dos mais diversos códigos de expressão cênica.
Não é possível determinar tão precisamente os limites dessa “categoria” uma vez que sua essência designa justamente o trânsito “livre” entre os limites do teatro e da dança, como eram vistos. Ou seja, a manifestação cênica que se coloca naquela região de intersecção entre o teatro e a dança acaba por propor uma abordagem de DANÇA-TEATRO ou TEATRO-DANÇA.
Talvez a inserção de textos poético/dramáticos na boca de bailarinos, talvez a composição coreográfica aplicada às ações de atores, ou um teatro sem palavras ou uma dança com personagens, enfim, muitas são as possibilidades que permitem a exploração dos limites entre as artes cênicas. Se a exploração parte do campo da área teatral em direção a dança parece encontrar a categoria de TEATRO-DANÇA, se acontece o contrário, é a dança que busca se apoderar dos elementos teatrais, ganha o conceito de DANÇA-TEATRO. Limites sempre tênues e relativos.
É como DANÇA-TEATRO que se caracteriza a dança flamenca. Não porque se assemelhe a qualquer iniciativa já encontrada nessa categoria, o flamenco vai de encontro ao conceito da DANÇA-TEATRO por sua própria natureza expressiva.