Translate

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Expressões faciais



A expressão facial no meu trabalho, denota uma profunda relação com a técnica da dança clássica Indiana.

Denota no meu corpo sensibilidade sobre a interpretação da gestualidade pesquisada em cada coreografia, nunca sou neutra em cena. O pauco é um espaço de expressão da minha identidade.


Danço / interpreto e o extranhamento ainda é grande por não me indentificar com uma linguagem apenas, sou dançarina-atriz . No momento investigo um ponto de equilíbrio , sem caricatura ou exagero.


Dentro do natya, o abhinaya (expressão do conteúdo dramático através da pantomina e do gesto) adquire formas diferentes em cada estilo, sendo uns mais exagerados que outros. Os temas do abhinaya também variam, mas cada estilo afirma os ensinamentos do navarasa, os nove estados de ânimo ou sentimentos: o amor, o desprezo, o pesar, a ira, o medo,
o valor, o desgosto, a admiração e a paz. Esses estados de ânimo encontram-se classificados no Natyasastra, onde também são descritos os meios de expressá-los através dos movimentos dos olhos, das sobrancelhas, do pescoço, das mãos e do corpo.

Existem ainda duas categorias de movimentos que todos os bailarinos podem realizar independentemente de seu sexo: o tandava, aspecto masculino e vigoroso da dança, e o lasya, que representa o lado elegante e feminino. Todos os estilos são executados com os pés descalços, embora em alguns deles sejam utilizados os ghungroos (guizos nos tornozelos) para aumentar o ritmo dos passos. Os mudras (gestos com as mãos), os estilizados movimentos do rosto e dos olhos e os complexos esquemas rítmicos constituem outras características dessa dança.


Fotos Marcelo Dischenger - Mirabai -
Bailarina tradicional de Bharata Natyam -revista arte e manha

Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino

Editora Vozes, 2007
inédito em francês

Uma Escola do Olhar

Eis a importância da prática da transdisciplinaridade . Saber que há diferentes pontos de vista sobre uma mesma realidade. E que precisamos de todos eles para ver melhor.
Os Antigos Terapeutas [de Alexandria] buscavam despertar, em si, o que chamamos o olho do Querubim. O Querubim, na tradição antiga, é um estado de visão, representado como asas repletas de olhos. Essa imagem é encontrada em diversas culturas, particularmente na tradição da Etiópia, onde há querubins nos tetos das igrejas: olhos que nos olham.
Certa vez, quando adoeci na Etiópia, fiquei surpreso ao ver um médico me dar um pequeno rolinho e dizer: - Seu remédio. Ao desenrolar vi que havia nele asas com olhos. Tocou-me profundamente porque compreendi que tratava-se de colocar outro olhar sobre a doença.
Há a visão do médico, do psicólogo, dos amigos, mas há também o olhar do Anjo. Esse olhar que vê o que acontece segundo um outro ponto de vista, de outra profundidade e que contempla a nossa doença ou sintomas não somente como os olhos humanos são capazes. Então pode se abrir, talvez, uma outra interpretação sobre aquilo que nos ocorre.
Assim, convido-o a imaginar um olho, com facetas, como o de uma abelha. Como ele nos veria nesse momento? Não tem nada a ver com a nossa maneira habitual de olhar. Ou um cavalo – você já pensou em mirar alguém com o olhar de um cavalo? Aparecemos com uma forma completamente diferente. Trago essas imagens para nos lembrar que a visão do mundo que temos é ligada ao nosso instrumento de percepção e no olho de um cavalo ou de uma abelha há todo um outro mundo. A maneira de ver alguém pode mudar, segundo a qualidade do nosso olhar.
Então, a tarefa é despertar em nós essas diferentes facetas. Isso me faz pensar nas diferentes áreas do cérebro, nas diferentes capacidades de apreender o mundo.
Vou propor o olhar dos Antigos Terapeutas que possui sete olhos. Geralmente paramos no terceiro olho.

O primeiro olhar é o do ver – eu vejo.

O segundo é o olhar da ciência – eu observo, eu analiso. E´um olhar apoiado, aprofundado.

O terceiro olhar é o que pergunta – eu interrogo. O que é esse sintoma? O que ele manifesta? O quê? O que é?

O quarto olhar é o que se pergunta – eu me interrogo. Como é que eu vejo? E´o olho da filosofia metafísica. O que é o Ser? O que é o ser humano? Trata-se do como eu conheço. Esta é a filosofia de Kant , por exemplo, que se interroga sobre como a ciência é possível. Eu conheço muitas coisas, mas não apreendo o instrumento através do qual eu conheço as coisas. Para um Terapeuta há uma questão muito importante: Qual é o instrumento por meio do qual ele conhece o outro e interpreta sua doença? E´necessário purificar este instrumento e ver que, segundo o modo de percepção que adotamos, a realidade dos sintomas pode ser completamente diferente. Não somente interrogo o real, esse corpo que acompanho, mas também sobre minha maneira de conhece-lo.

O quinto olhar se abre para o sentido – eu acolho o sentido. Por intermédio dos sintomas, dos sonhos, da fala, simplesmente acolho o sentido, antes de interpreta-lo.

O sexto olhar é o da interpretação – eu interpreto. Essa interpretação pode ser criadora. Após o exercício de todos esses olhos da observação, da análise, da interrogação, da escuta acolhedora, me torno capaz de interpretar e dar um sentido ao que a pessoa está vivendo.

O sétimo olhar é o que direciona e liberta – vá com sentido! Da mesma maneira que dizemos:- Vá com Deus! Poderíamos dizer: - Vá com sentido! Vá com a interpretação da sua doença, não apenas na sua dimensão mental; também com os meios de cura-la, de cuidar de você. Essa é a grande palavra dos Terapeutas: Vá em direção a você mesmo, eu estou com você! Esta foi a palavra de Deus dirigida a Abraão. "

Jean Ives Leloup

Nenhum comentário:

Postar um comentário