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domingo, 6 de março de 2011

A pesquisa da dançarina sobre si mesma

A pesquisa da dançarina sobre si mesma


A dança que busco nasceu da necessidade de me conhecer profundamente, o trabalho sobre mim mesma foi fundamental para expressar a minha identidade em cena, de acordo com a linguagem que escolhi.
Eu questionei muito a relevância do meu processo e fui em busca de muitos mestres alguns bons outros com a sincera intenção de apagar a minha luz.. Com o tempo fui aprendendo a conciliar a inveja e a falta de bons mocismos desta área , aliada à arrogância e a minha crença numa arte realizada com um profundo sentimento de humanidade. Busquei os templos, ideologias , treinamentos corporaes diversificados pertencentes à diversas culturas e troquei experência com vários artistas. Danço também para todos os públicos , inclusive de todas as faixas etárias e classes sociais. O que colaborou para a constatação sobre a importância do trabalho do artista sobre si mesmo e a relação com a sua arte, é fundamental para encontrar a sua humanidade. A importância só para citar um exemplo do encenador Antunes Filho que antes de formar o ator, provoca a reflexão na
postura do ator que se pretende ser, através de treinamento corporal e muita leitura, livros que ele exige que sejam lidos , não sei se ainda é assim, eu li isso num livro dele há muito tempo.
Se " tornar mais humano que o humano" esta é uma premissa do filme Blade Runner, adquirir uma segunda natureza refinada que permite olhar para dentro de si e para o mundo , filtrar e transformá-la em matéria-prima , movimento, teatro, pintura, instalação... A técnica, a teoria a academia faz muito bem ,para o artista que escolhe a academia ou escola de arte, mas sobra teoria e ego , claro que não é regra geral. Refleti muito antes de tomar a difícil decisão de me assumir artista,porque a sensação que tinha era que era uma fraude e sempre ficava tímida diante de tantos elogios. Demorei a acostumar com o respeito e carinho do público por mim. Ficava dentro do camarim tentando entender o que é que eu tinha que emocionava tanto, como eu conseguia sem produção e mídia ser tão verdadeira e absoluta em cena. Hoje eu lembro de todas as lágrimas que chorei ao me investigar profundamente através de terapias ( biodança principalmente) , espiritualidade, em quantas vezes me encontrei numa sala vazia de ensaio com uma " síndrome do papel branco" , porque pessoas muito autênticas como eu, que se propoêm a realizar uma arte própria sem clichês têm dificuldades de encontrar parceiros diretores e coreógrafos. Tinha um iluminador que saiu do meu projeto porque eu mudava demais, como se um projeto de investigação não fosse o caminho natural , não se deixar engessar por fórmulas prontas que dão sempre certo. Ainda não sei se vou dar certo, mas encarei o desafio de me dançar numa sala vazia, e num palco vazio, sem fumacinha e coisas explodindo em cena , com figurinos deslumbrantes e técnicas exdrúxulas, somente eu . Não é a toa que meu primeiro solo no espetáculo BAKAKA, sou eu dançando a minha sombra, celebrandro e reverenciando o que eu sou, expressando minha humanidade em cena e o caminho que percorri, usar a arte como veículo.


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