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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Memória do corpo



Durante meu treinmento de dança clássica Indiana , observei o que Grotowiski afirmava com a sua pesquisa, primeiro ele afirmava que a arte é um véiculo, a segunda é sobre a memória do corpo. No passado joguei basquete, para se jogar basquete é necessário flexionar os joelhos para se deslocar com desenvoltura ao quicar a bola na quadra, os punhos têm um papel importante na hora de arremessar a bola para o aro, e muito importante são olhos, a visão panorâmica da quadra, do adversário e o ângulo perfeito para fazer a cesta. Não tive difilculdade de executar o Aramandhi( posição inicial da dança, executada com os joelhos flexionados) , meu corpo já sabia , é muito complexo porque no caso dos braços a importãncia do ângulo de aproximadamente 90 graus , dificulta justamentente os punhos, que não devem ser flexionados na passagem de um adavu ( passos de dança ) , porque as linhas retas exigem a passagem de um mudra para o outro com o punho preciso é um movimento simples, mas eu lembro que lutei para desenvolver o punho flexível e agora luto para desconstruir esta memória corporal.
Nosso corpo além de falar , guarda emoções não expressas e tem uma historia explícita e implícita. Nossos gestos tão incorporados na secura do cotidiano estão destituídos de simbolo. Parece que estamos todos ligados no automático, uma babel , falamos o tempo todo , e nem sempre o corpo confirma. Uma investigação mais minusiosa das pessoas e dá para perceber. Vai além de olhar para um ombro caído e perceber que aquela pessoa está triste ou é tímida. Claro que olhamos para um corpo treinado e percebemos um bailarino andando, um atleta, mas existe um universo muito rico de saberes que chegaram através de técnicas corpóreas do Oriente como a acumputura, massagem Ayurvédica, por exemplo eu já vi muita imagens, era como se o meu corpo tivesse várias camadas de memórias, a meditação , a respiração, e as técnicas usadas em terapias corporaes que liberam as emoções através do corpo , e aprofunda questões onde a razão não chega. Gosto e sou e sou aluna da biodança criada pelo antropólogo Rolando Toro, realmente sinto estas memórias sendo acessadas, com muito afeto, porque não adianta liberar revolta, choro, medo, falta de colo, vazio, abandono, sem um suporte para continuar seguindo em frente amando a vida. No entanto quando os encenadores no início do seculo 19 , incluíram estas técnicas no treinamento dos atores /bailarinos , aconteceu uma revolução nas artes de vanguarda. Porque na minha opinião surgiu uma arte verdadeira , onde o ator/dançarino experiementa nele , a sua linguagem e não fica tão refém de um diretor ou coreógrafo.hoje atores , balarinos ( ainda somos exceção, mas isso está mudando) buscam sua técnica pessoal, sua maneira de falar do humano em cena, criando um diálogo com o público promovendo uma arte sagrada, onde não basta ter técnica apurada ( íten importante), é importante ter alma, ter um movimento que brote da história pessoal de quem a executa , para trasncender o particular e é onde a arte se torna universal .


GROTOWSKI

Grotowski nasceu em Rzeszów, Polônia e viveu até a idade de seis anos em Przemyśl. Durante a Segunda Guerra Mundial a família se separa. Sua mãe muda-se com ele para Nienadówka. Seu pai serviu como oficial no exército polonês indo para a Inglaterra. Grotowski, sua mãe e seu irmão conseguiram fugir dos nazistas e se refugiaram numa fazenda de seu tio. Este era arcebispo em Cracóvia e foi nesta época que Grotowski despertou para a vida espiritual que orientaria toda sua vida artística. O trabalho de Grotowski no teatro se torna uma espécie de busca espiritual, uma confrontação entre o homem e a mitologia. É central em seus escritos e em sua prática a figura do ator "santo".

Em 1955 Grotowski se formou em interpretação na escola técnica de teatro de Kracóvia. Logo depois ele vai para Moscou para estudar direção no (GITIS) Instituto Lunacharsky de Artes Teatrais. Ele fica em Moscou até 1956, aprendendo os caminhos trilhados pelos grandes artistas russos como Stanislavski, Vakhtangov, Meyerhold e Tairov. Depois ele retorna a Polônia e se especializa em direção, se formando em (1956–1960).

Fundamentos de um teatro pobre

Em seu livro podem ser encontrados os dez princípios dos estudantes de seu teatro laboratório. Grotowski escreveu este texto para uso interno. Abaixo alguns trechos:

"(...) fazemos um jogo duplo de intelecto e instinto, pensamento e emoção; tentamos dividir-nos artificialmente em corpo e alma. (...) Em nossa busca de liberação atingimos o caos biológico."

" A arte não é um estado da alma (no sentido de algum momento extraordinário e imprevisível de inspiração), nem um estado do homem (no sentido de uma profissão ou função social). A arte é um amadurecimento, uma evolução, uma ascensão que nos torna capazes de emergir da escuridão para uma luz fantástica "

" como o material do ator é o próprio corpo, esse deve ser treinado para obedecer, para ser flexível, para responder passivamente aos impulsos psíquicos, como se não existisse no momento da criação - não oferecendo resistência alguma. A espontaneidade e a disciplina são os aspectos básicos do trabalho do ator, e exigem uma chave metódica "

[editar] O "teatro pobre" de Grotowski

Segundo Grotowski, o fundamental no teatro é o trabalho com a platéia, não os cenários e os figurinos, iluminação, etc. Estas são apenas armadilhas, se elas podem ajudar a experiência teatral são desnecessárias ao significado central que o teatro pode gerar.

O pobre em seu teatro significa eliminar tudo que é desnecessário, deixando um ator ou atriz vunerável e sem qualquer artifício. Na Polônia, seus espetáculos eram representados num espaço pequeno, com as paredes pintadas de preto, com atores apenas com vestimentas simples, muitas das vezes toda em preto.

Seu processo de ensaio desenvolvia exercícios que levavam ao pleno controle de seus corpos para desenvolver um espetáculo que não deveria ter nada supérfluo, também sem luzes e efeitos de som, contrariando o cenário tradicional, sem uma área delimitada para a representação.

A relação com os espectadores pretendia-se direta, no terreno da pura percepção e da comunhão. Se desafia assim a noção de que o teatro seria uma síntese de todas as artes, a literatura, a escultura, pintura, iluminação, etc...

[editar] Declaração de Princípios

(editado do texto escrito por Jerzy Grotowski para uso interno no Teatro Laboratório e, em particular, pelos atores que faziam um aprendizado, antes de serem aceitos na companhia, a fim de colocá-los em contato com os princípios básicos do trabalho ali realizado).

O ritmo de vida na civilização moderna se caracteriza pela tensão, por um sentimento de condenação, pelo desejo de esconder nossas motivações pessoais, e por uma adoção da variedade de papéis e máscaras da vida (máscaras diferentes para a nossa família, o trabalho, entre amigos, na comunidade, etc.). Gostamos de ser “científicos”, querendo dizer com isto racionais e cerebrais, uma vez que esta atitude é ditada pelo curso da civilização. Mas também queremos pagar um tributo ao nosso lado biológico, o que poderíamos chamar de prazeres fisiológicos. Portanto, fazemos um jogo duplo de intelecto e instinto, pensamento e emoção; tentamos dividir-nos artificialmente em corpo e alma. Quando tentamos nos livrar disto tudo, começamos a gritar e a bater com o pé, no convulsionando com o ritmo da música. Em nossa busca por liberação, atingimos o caos biológico. Sofremos mais com uma falta de totalidade, atirando-nos, dissipando-nos. (…)

Porque sacrificamos tanta energia à nossa arte? Não é para ensinar aos outros, mas para aprender com eles o que nossa existência, nosso organismo, nossa experiência pessoal e ainda não treinada tem para nos ensinar; para aprender a romper os limites que nis aprisionam e a libertar-nos das cadeias que nos puxam para trás, da mentiras sobre nós mesmos que manufaturamos cotidianamente para nós e para os outros; para as limitações causadas pela nossa ignorância e falta de coragem; em resumo, para encher o vazio em nós, para nos realizarmos. A arte não é um estado da alma (no sentido de algum momento extraordinário e imprevisível de inspiração), nem um estado do homem (no sentido de uma profissão ou função social). A arte é um amadurecimento, uma evolução, uma ascensão que nos torna capazes de emergir da escuridão para a luz.

O devemos fazer é lutar, para então descobrir, experimentar a verdade sobre nós mesmos; rasgar as máscaras atrás das quais nos escondemos diariamente. (…) A arte não pode ser limitada pelas leis da moralidade comum ou de qualquer catecismo. (…) O ato de criação nada tem a ver com o conforto externo ou com a civilidade humana convencional; quer dizer, as condições de trabalho nas quais as pessoas se sentem seguras e felizes.

[editar] Grotowsky no Brasil

O crítico carioca Yan Michalski descreve, na apresentação brasileira da terceira edição de "Em Busca de um Teatro Pobre", a passagem do diretor polonês no país em 1974. Afirma Michalski que, em todas as conversas e pronunciamentos naquela época, Grotowski insinuou que a parte teatral daquele livro não mais o interessava, e não representava seu pensamento, que ele pessoalmente não estava mais interessado em teatro. Que em seu novo livro "Dia Santo", publicado naquela época, não tratava mais de teatro mas sim de encontros, reuniões de pequenos grupos de pessoas que conviveriam durante alguns dias, dedicando-se apenas a exercícios não verbais, em busca de uma forma privilegiada de contato não verbal, desenvolvendo suas capacidades espirituais e meditações. As técnicas teatrais eram usadas nesses encontro apenas para desencadear energias no plano espiritual. Mesmo assim Michalski revalidava a importância do livro pelas colocações teórico-práticas de formação do ator.

[editar] Bibliografia

  • "Em busca de um teatro pobre". Ed. RJ:Civilização Brasileira, 1971; Prefácio de Peter Brook.
  • "Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski", 1959 - 1969. SP:Ed Perspectiva, 2007.

[editar] Ligações externas

em inglês


fonte - wikipédia

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