Meus amigos, minhas amigas: eu vi. Melhor, tive o grande privilégio de assistir às 12 apresentações da professora, atriz e dançarina MIRABAI (Sala Alberto Nepomuceno/Teatro Nacional/Brasília/setembro/
2011). Sem falar na pré-estréia, no dia primeiro daquele mês.
Quando digo “grande privilégio”, não é exagero ou mera retórica.
Contratado inicialmente pela professora MIRABAI como diretor de arte e produção gráfica para desenvolver o material impresso de seu Espetáculo de Dança Baraka, fui conquistado e me envolvi integralmente pela arte, conteúdo e verdade da proposta dela.
E mais: percebi que ela, além de ser a artista que concebera – e dali há uns meses apresentaria o Espetáculo (começamos a trabalhar em fevereiro) – era dela também a enorme responsabilidade para tornar possível a realização do próprio Espetáculo.
Desde a captação dos recursos junto ao FAC (Fundo de Apoio à Cultura) até o cumprimento total de todas as reponsabilidades, tudo – absolutamente tudo – estava sob sua responsabilidade e decisão. E todos nós sabemos que, se para decidir é preciso discernimento e competência, muito mais discernimento e competência é preciso quando as decisões devem ser tomadas de forma individual, quase solitária.
Com o tempo cada vez mais curto e faltando dois meses para a estréia, a professora MIRABAI, teve de recomeçar praticamente do “zero”. Problemas inerentes à produção do Espetáculo a forçaram a rever orçamentos, contratação de pessoal e readequar-se à exígua disponibilidade financeira.
Não fosse o providencial apoio da Secretaria de Assuntos e Políticas para a Mulher Educadora, do SINPRO (Sindicato dos Professores do Distrito Federal), a divulgação do Espetáculo de Dança Baraka seria prejudicada.
Mas, como o tempo não pára, a artista se desdobrava como podia para atender todos os compromissos de sua vida particular, trabalho, ensaios, contatos e tudo o mais que – normalmente – ocuparia uma equipe de muitos profissionais.
Nunca a máxima “o espetáculo não pode parar” foi tão verdadeira e, é importante salientar, antes do espetáculo começar! E tão assustadora: havia o compromisso assumido de montar um espetáculo artístico com “Patrocínio Cultural” do FAC. Caso ele não acontecesse, teria a professora MIRABAI de devolver o recurso captado. Sei e tenho certeza que só a determinação, a competência e o talento da professora MIRABAI tornaram possível a realização do Espetáculo de Dança Baraka.
É verdade, ela não caminhou sozinha, principalmente, na reta final: a ela juntaram-se várias instituições e empresas que sabiam, confiavam na seriedade e na importância de seu trabalho. Incansável, a professora MIRABAI percorreu redações distribuindo “releases” e material digital para veiculação na mídia impressa e eletrônica. A ampla cobertura de toda imprensa (jornais, revistas, rádios e emissoras de TV) deu resultado e foi fundamental para a divulgação do Espetáculo de Dança Baraka. A professora MIRABAI ficou um mês em cartaz e em evidência na mídia. Uma façanha e tanto, temos de admitir.
A pré-estréia foi emocionante: muitos amigos, professores, alunos, colegas, artistas, admiradores e seus filhos compareceram para prestigiá-la e aplaudi-la. Saíram felizes, comprovei. Pela vitória e talento da amiga, da artista, da mãe. A temporada toda foi um sucesso.
Assisti a tudo e tive a honra de conviver com a professora MIRABAI todos os momentos do Espetáculo de Dança Baraka. Os bons, os melhores e os momentos difíceis. Não aconteceram momentos “ruins”, mas momentos “difíceis”, quando as “angústias”, incertezas momentâneas, foram superadas pela competência e verdade da proposta artística.
Em sua temporada, MIRABAI provou que arte de verdade não é feita com botox, silicone ou apelações. Sozinha no palco, sem cenografia supérflua ou iluminação feérica, MIRABAI apresentou sua arte e mostrou-se por inteira. Explicitou seu talento sem medo. Improvisou e fez de cada apresentação uma “JAM SESSION”.
O público, ah… o público reagiu espontaneamente agradecido à performance da artista. Do silêncio inicial, absoluto, admirado e respeitoso, à explosão de gritos de “Bravo!”, “Linda!”, “Muito Bom!”, assobios e palmas ao final do espetáculo, muitas vezes com a platéia de pé. Até a “galera” do “Uhúúúúúúú!” se fez ouvir.
Volto ao início deste depoimento: fui um espectador muito privilegiado porque – apesar de minha experiência profissional em lidar com imprevistos – me surpreendi, aprendi muito e vi de perto a determinação de uma artista de talento. E, como assisti a todas apresentações (refiro-me a pré-estréia e aos 12 espetáculos da temporada), sem nenhum favor, faço uma analogia entre o trabalho da professora MIRABAI e do grande músico, reconhecido internacionalmente, ERIC CLAPTON.
São “manifestações artísticas diferentes”, “etcétera e tal” – alegarão alguns – mas, é certo: não há qualquer impropriedade ou exagero em minha analogia.
Nem, repito, nenhum favor: quem conhece profundamente (como eu conheço) o trabalho e a vida de ERIC CLAPTON, sabe que desde o início de sua carreira ele nunca executa as músicas da mesma forma. Cada execução é única. Ele não se repete. A melodia e o tom são os mesmos – é evidente – mas os arranjos, o ritmo, o “andamento”, a harmonização e a “pegada” são sempre diferentes. Isso sem falar na beleza, competência do improviso e no brilhantismo da interpretação.
Pois tudo isso eu vi, meus amigos e minhas amigas, na postura, trabalho e atuação da professora MIRABAI. Ou melhor, tudo isso eu tive o – GRANDE – privilégio de ver, todos os dias e bem de perto, no Espetáculo de Dança Baraka.
“NAMASTÊ”, professora: foi uma honra trabalhar com a senhora!

Carlos Guilherme R. Batista
(Jornalista/Publicitário/Músico diletante)