NAVA RASAS

"A linguagem corporal da dança indiana pode expressar

áreas ocultas da vida dos sentidos e estados insondáveis

do pensamento que a linguagem verbal

não é capaz de exprimir".
(Ingrid Ramm-Bonwitt)

Por serem instrumentos de comunicação, as danças clássicas indianas requerem movimentos com significados que evocam emoções e sentimentos – RASAS. Etimologicamente, a palavra RASA advém de ras, que significa saborear, sentir, perceber. O RASA, então, seria o “gosto”, o “sabor”.

O Natya Shastra dá uma atenção especial à revelação do RASA na dança, descrevendo as expressões faciais que demonstram sentimentos ou estados mentais que conduzem o espectador ao saborear e ao prazer estético de uma performance. É por meio do Rasa que o dançarino torna-se o instrumento de catalisação deste prazer estético metaforicamente comparável ao “saborear das iguarias da cozinha indiana”. Cada Rasa traduz o “tempero” que faz emergir sentimentos e emoções que dão a tônica e o significado do enredo de uma narrativa.
Existem nove rasas (NAVARASAS). Oito deles estão descritos no Natya Shastra, sendo que o nono surgiu posteriormente.
  • SHRINGARA RASA – amor, erótico

  • HASYA RASA – humor, alegria

  • RAUDRA RASA – fúria, ódio, ira

  • KARUNA RASA – comoção, compaixão

  • VEERA RASA – coragem

  • BHAYANAKA RASA – medo

  • BEEBHATSA RASA – nojo, repulsa

  • ADBHUTA RASA – maravilhamento

  • SHANTA RASA – liberação

Referências Bibliográficas

RAMM-BONWITT, Ingrid. “Mudras – As mãos como símbolo do Cosmos”. 1987. Ed. Pensamento. São Paulo.
The Natya Sastra of Bharatamuni – Translated into English by A Board of Scholars. Sri Satguru Publications. 2006. New Delhi – India.

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